Diferentemente da tradição literária de outrora, é preciso delimitar a seriedade com que tratarei de uma ideia que se surgiu, obviamente, do recrudescimento das questões que tangem à luta de classes no Brasil. Hoje, aqui, em 2019, é impossível estar ciente do que acontece dentro do campo político sem ter claro o seu posicionamento dentro do chamado "campo ideológico" discursivo - mesmo que os chamados "isentões" e adeptos da chamada "pós-política" e "ultrapolítica" digam que não há uma esquerda e uma direita (aqui usando os termos muito usados pela Sabrina Fernandes, do canal Tese Onze e em seu livro, recém-adquirido, Sintomas Mórbidos).
Nesse sentido, é preciso dizer que há "esquerdas" e "direitas" e, como já se deve ter percebido, me enquadro à esquerda do debate.
Esse período turbulento deu então vazão a uma série de outros pensamentos, que foram se aprofundando em complexidade a medida em que me radicalizava e informava: quais são essas esquerdas? Em que esquerda me enquadro? E dessa maneira, fui vendo que, em termos de mundo, é um conceito bem amplo, em contexto de Brasil, talvez seja algo um pouco mais restrito.
Desde os meus 14 anos, idos de 2005, quando li pela primeira vez o Manifesto do Partido Comunista e, já àquela época me considerava anarquista (mais pelo punk-rock que pelas ideias de Bakhunin), pude perceber que é deste lado de cá que me encaixo, mas o tempo foi passando e a despolitização dos governos petistas e, principalmente, a vida como um todo, me distanciaram de um ideal de radicalização maior da teoria que fora plantada com o Manifesto.
Título na mão aos 16, segui os anos de 2010, 2014 e 2018 votando em partidos de esquerda, majoritariamente o PSOL, 2018 no PDT e, em 2014 e no dramático segundo turno, no PT. Infelizmente não adiantou muito, mas pelo menos, serviu para que eu retomasse um pouco daquele espírito e, só hoje aos 28, resolvi engajar-me novamente como sujeito político (incluindo flertar com organizar-me com organizações) e, obviamente, entender o sentido das lutas que queria travar.
Obviamente marxista, obviamente antissistêmico, atualmente o leninismo é a corrente que me interessa (incluindo algumas críticas ao trotskismo tão presente e aceito nos partidos da esquerda brasileira), me dei conta de responder algumas perguntas que se somaram ao longo de anos de despolitização: como estudar o marxismo? como estudá-lo e aplicá-lo à realidade brasileira?
E, partindo desse princípio, seguirei o cronograma sugerido por Weinstone:
Introdução:
Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx & Engels
Socialismo Utópico Científico - Engels
Discurso à Beira do Túmulo de Karl Marx - Engels
Economia Política - Leontiev
Estado e Revolução - Lênin
Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo - Lênin
18 de Brumário de Luís Bonaparte - Marx
Guerra Civil na França - Marx
Fundamentos do Leninismo (os capítulos sobre teoria e o Partido) - Stalin
Frente Única contra o Fascismo - Dimitrov
Marxismo-Leninismo vs. Revisionismo - W. Foster
Além de citar, também a importância do estudo e análise de biografias e comentários a respeito do pensamento marxista/marxiano tais como:
Karl Marx - Engels
Reminiscências de Marx - Liebknecht
As 3 Fontes e partes Componentes do Marxismo - Lênin
A Vida de Lênin - Khezentserv
Por ora, e enquanto houver tempo, tal será o método de introdução para análise (cabendo aqui salientar também a importância de incluir, aqui, autores com uma visão periférica do capitalismo - e a "teoria da dependência").
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